Erros comuns na redação ENEM e como evitar para aumentar sua nota
Descubra os erros que mais derrubam a nota da redação ENEM e veja como fugir deles com dicas práticas e exemplos reais.
Erros comuns na redação ENEM e como evitar
A redação do ENEM assusta muita gente porque ela vale 1000 pontos e pode mudar completamente a sua média final. A boa notícia é que boa parte das notas baixas não acontece por falta de inteligência, e sim por erros repetidos que são totalmente evitáveis.
Se você entender onde os candidatos mais tropeçam, já sai na frente. E mais: com treino certo, dá para transformar uma redação mediana em um texto com cara de nota alta.
Por que a redação do ENEM derruba tanta gente?
A prova cobra uma dissertação argumentativa com proposta de intervenção, e isso exige mais do que “escrever bonito”. O corretor quer ver domínio da norma culta, organização, argumentação consistente e uma solução viável para o problema apresentado.
O erro é que muitos estudantes focam só em decorar repertório e esquecem o básico: responder ao tema, construir tese, desenvolver argumentos e fechar com intervenção completa. Quando uma dessas peças falha, a nota sente na hora.
Os erros mais comuns na redação ENEM
1. Fugir do tema
Esse é um dos erros mais graves. Às vezes o aluno lê o tema, reconhece algumas palavras-chave e já começa a escrever sobre algo parecido, mas não exatamente sobre o que foi pedido.
No ENEM, fugir do tema pode zerar a redação. Se o assunto for, por exemplo, “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”, não basta falar genericamente sobre racismo ou cultura brasileira. Você precisa dialogar diretamente com a valorização da herança africana.
Como evitar:
- Leia o tema com calma e destaque os termos centrais.
- Reescreva o tema com suas palavras antes de começar.
- Pergunte: “sobre o que eu preciso defender uma ideia?”
2. Não apresentar uma tese clara
Muita gente escreve uma introdução bonita, mas sem dizer de forma objetiva qual é a posição defendida. A tese é a sua opinião organizada sobre o problema.
Sem tese, o corretor sente que o texto está “solto”. E se a ideia central não aparece logo no início, os argumentos perdem força.
Exemplo ruim: “Esse é um problema muito presente na sociedade e que merece atenção.”
Exemplo melhor: “A persistência desse problema está ligada à omissão do Estado e à falta de educação crítica da população.”
Como evitar:
- Sua introdução precisa responder: qual é a causa principal ou o eixo da discussão?
- Pense em uma frase que já aponte o caminho dos dois parágrafos de desenvolvimento.
3. Fazer repertório decorado e solto
Citar filósofo, obra, música ou dado não garante nota alta. O erro clássico é jogar uma referência no texto sem explicar a ligação com o tema.
O ENEM valoriza repertório produtivo, ou seja, aquele que conversa com o argumento. Uma citação sem conexão parece enfeite.
Exemplo ruim: “Como disse Sócrates, ‘só sei que nada sei’.”
Exemplo melhor: “A frase de Sócrates pode ser relacionada à necessidade de reflexão crítica sobre o problema, já que a sociedade muitas vezes naturaliza situações injustas por falta de debate.”
Como evitar:
- Escolha repertórios que você domina de verdade.
- Sempre explique por que aquela referência ajuda a defender sua tese.
- Menos enfeite, mais sentido.
4. Argumentar sem aprofundar
Tem muita redação que fala coisas corretas, mas de forma superficial. O aluno escreve que “a falta de investimentos é um problema” e para por aí.
Só que argumentar bem é desenvolver a ideia. É mostrar causa, consequência, exemplo e relação com a tese.
Estrutura que ajuda muito:
- Afirmação
- Explicação
- Exemplo
- Fechamento com ligação à tese
Exemplo: “A falta de investimento público agrava a desigualdade no acesso ao problema abordado. Isso ocorre porque regiões periféricas costumam receber menos recursos, o que limita o acesso a serviços básicos e perpetua a exclusão social.”
5. Fazer introdução genérica demais
Uma introdução fraca costuma ser muito ampla, sem foco e sem problema definido. Frases como “a sociedade atual enfrenta muitos desafios” não dizem quase nada.
No ENEM, a introdução precisa contextualizar e delimitar o tema com clareza. Ela não precisa ser enorme, mas precisa ser precisa.
Como evitar:
- Comece com um contexto atual, histórico ou social ligado ao tema.
- Depois, apresente a tese.
- Evite frases vazias demais.
6. Esquecer a proposta de intervenção
Esse é outro erro fatal. O ENEM exige solução, e não qualquer solução: ela precisa ter agente, ação, meio, finalidade e detalhamento.
Muita gente escreve algo como: “O governo deve resolver isso”. Isso é genérico demais. Quem exatamente? Como? Com qual objetivo?
Exemplo fraco: “O governo precisa melhorar a educação.”
Exemplo forte: “O Ministério da Educação deve ampliar campanhas nas escolas públicas, por meio de aulas temáticas e materiais didáticos específicos, a fim de conscientizar os estudantes sobre o problema e reduzir sua naturalização.”
Como evitar:
- Pense em quem vai agir.
- Defina a ação com verbo concreto.
- Explique o meio e a finalidade.
- Se der, detalhe a execução.
7. Não respeitar os direitos humanos
Na proposta de intervenção, a solução não pode ferir direitos humanos. Isso inclui ações discriminatórias, violentas, autoritárias ou excludentes.
Às vezes o aluno, querendo ser “duro”, propõe punições abusivas ou medidas que restringem liberdades. Isso derruba a competência 5.
Como evitar:
- Propostas devem ser educativas, reguladoras, preventivas ou de inclusão.
- Pense em soluções que ampliem direitos, não que os reduzam.
8. Errar a estrutura da dissertação
A redação do ENEM tem um formato esperado: introdução, dois parágrafos de desenvolvimento e conclusão com intervenção. Quando o texto vira uma mistura bagunçada de opinião, relato e desabafo, a coesão sofre.
Não precisa decorar um “molde robótico”, mas precisa organizar as ideias com começo, meio e fim.
Como evitar:
- Introdução: contextualização + tese
- Desenvolvimento 1: primeiro argumento
- Desenvolvimento 2: segundo argumento
- Conclusão: proposta de intervenção
9. Exagerar no tamanho dos períodos
Frases longas demais podem virar armadilhas. O estudante quer parecer sofisticado, mas acaba montando períodos confusos, sem vírgula no lugar certo e com oração perdida no meio.
No ENEM, clareza vale muito. Uma frase bem escrita, direta e coesa costuma funcionar melhor do que uma frase enorme e embolada.
Como evitar:
- Varie o tamanho das frases.
- Use períodos curtos quando a ideia for complexa.
- Leia em voz alta para perceber se está pesado demais.
10. Repetir palavras e ideias o tempo todo
A repetição excessiva passa sensação de pobreza vocabular e deixa o texto cansativo. Às vezes o candidato usa “problema”, “importante”, “sociedade” e “desafio” dez vezes em uma redação de 30 linhas.
Isso não significa inventar palavras difíceis. Significa usar sinônimos com cuidado e variar a construção das frases.
Como evitar:
- Faça uma lista de conectivos e termos substitutos.
- Revise procurando repetições desnecessárias.
- Prefira precisão a “palavra difícil”.
11. Não usar conectivos de forma estratégica
Os conectivos dão fluidez e mostram relação entre as ideias. Sem eles, o texto parece picado. Com eles, a argumentação anda.
Mas atenção: não adianta encher a redação de “portanto”, “além disso”, “logo” sem lógica. O conectivo precisa combinar com a relação real entre as frases.
Como evitar:
- Use conectivos de causa: porque, devido a, visto que
- Consequência: portanto, assim, por isso
- Adição: além disso, também, ainda
- Contraste: contudo, entretanto, por outro lado
12. Fugir da proposta temática ao longo do texto
Às vezes o candidato até começa bem, mas depois passa a escrever sobre outra coisa. O desenvolvimento se dispersa, e o corretor percebe falta de foco.
Isso é comum quando o estudante tenta encaixar repertórios que não combinam com o tema ou quando escreve sem planejar.
Como evitar:
- Antes de escrever, monte um mini-roteiro.
- Anote tese, dois argumentos e intervenção.
- Durante a escrita, releia a pergunta mentalmente: “isso ainda está respondendo ao tema?”
Como evitar esses erros na prática
Planeje antes de escrever
Os melhores textos do ENEM quase nunca nascem no improviso total. Um rascunho de 5 a 7 minutos pode salvar sua redação.
Separe:
- tema central
- tese
- 2 argumentos
- repertório útil
- proposta de intervenção
Isso já evita muita fuga de tema e muita repetição sem direção.
Treine com temas anteriores
A redação melhora quando vira hábito. Ler apenas a teoria ajuda, mas escrever de verdade é o que faz você perceber suas falhas.
Use temas anteriores do ENEM e treine em tempo real. Depois, corrija procurando especificamente os erros que você mais comete.
Faça uma checklist antes de passar a limpo
Essa dica é simples e poderosa. Antes de entregar, confira:
- Respondi ao tema?
- Minha tese está clara?
- Tenho dois argumentos desenvolvidos?
- Usei repertório com ligação real?
- Minha proposta de intervenção tem agente, ação, meio e finalidade?
- Há erros gramaticais graves?
Cinco minutos de revisão podem evitar uma queda de nota por descuido.
Leia redações nota mil com olhar de estudante
Não leia só para admirar. Leia tentando identificar:
- como a introdução é construída
- como o argumento é aprofundado
- como o repertório entra de forma natural
- como a conclusão fecha com solução completa
Isso ajuda muito a internalizar o padrão esperado.
Erros que mais afetam cada competência do ENEM
Competência 1: norma culta
Aqui pesam erros de gramática, concordância, regência, pontuação e ortografia. Um ou outro deslize pode acontecer, mas excesso de falhas derruba a nota.
Dica prática: revise especialmente crase, vírgula e concordância verbal.
Competência 2: compreensão do tema e repertório
Fugir do tema, tangenciar ou usar repertório sem relação direta prejudica muito essa competência.
Dica prática: sempre relacione o repertório ao problema da frase seguinte.
Competência 3: seleção e organização de argumentos
Argumentos rasos, repetitivos ou desconectados enfraquecem essa parte.
Dica prática: cada parágrafo deve defender uma ideia diferente e complementar.
Competência 4: coesão textual
Sem conectivos e sem progressão lógica, o texto fica truncado.
Dica prática: revise a transição entre frases e parágrafos.
Competência 5: proposta de intervenção
Proposta genérica, incompleta ou antidemocrática costuma tirar pontos preciosos.
Dica prática: use a estrutura agente + ação + meio + finalidade + detalhamento.
O que mais cai na redação e merece atenção
Tem alguns assuntos que aparecem com frequência na preparação para o ENEM: cidadania, educação, tecnologia, saúde mental, meio ambiente, desigualdade social, violência, cultura e inclusão. Isso não significa decorar textos prontos, mas sim entender como discutir esses eixos.
Quem treina temas amplos ganha vantagem porque consegue adaptar repertório e argumentos com mais facilidade. E isso faz diferença quando o tema surpreende.
Dicas finais para não perder ponto bobo
- Não use uma redação pronta adaptada de qualquer jeito.
- Não invente dado estatístico se você não tem certeza.
- Não escreva opinião agressiva ou muito informal.
- Não pule a revisão final.
- Não tente impressionar com palavras difíceis sem necessidade.
A redação boa é a que faz o corretor pensar: “essa pessoa entendeu o tema, sabe argumentar e propôs uma solução viável”. Simples assim.
Vale mais decorar ou treinar?
Treinar sempre vence decorar. Repertório ajuda, conectivos ajudam, estrutura ajuda, mas só a prática mostra onde você erra.
Se você quer subir de nota, precisa escrever, revisar, corrigir e reescrever. É esse ciclo que transforma insegurança em consistência.
E quando você começa a identificar seus próprios padrões de erro, a evolução acelera muito.
Bora melhorar sua redação de verdade?
Se você chegou até aqui, já deu um passo enorme: entender o que mais derruba nota no ENEM. O próximo passo é colocar isso em prática com temas, correções e treino inteligente.
No Oiva, você pode praticar redação de um jeito mais leve e gamificado, sem perder o foco no que realmente aumenta sua nota. É o tipo de treino que ajuda você a escrever melhor sem sentir que está só “sofrendo com a redação”.
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